O ano de retoma!

Estão a vender-se mais casas, o investimento estrangeiro no imobiliário está a subir para níveis históricos e os vistos gold continuam a atrair chineses.

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A palavra “confiança” está de no volta ao discurso de quem se movimenta no sector imobiliário. Este ano estima-se que o número de casas vendidas possa rondar as 130 mil, contra as 96 mil em 2013, ano em que se bateu no fundo.

Os dados são avançados pela Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), mas a tendência que aponta para a inversão do ciclo nesta atividade é referenciada por várias fontes do sector, desde a promoção imobiliária à mediação e também à consultoria.

Há pelo menos três fatores a concorrer para a mudança que agora se anuncia: a banca voltou a conceder crédito à habitação, embora de forma muitíssimo mais criteriosa que no passado; algumas famílias estão a investir as suas poupanças no mercado da pedra, que continuam a ver como a aplicação mais segura no longo prazo e, talvez a puxar pela carruagem, uma vaga de investimento estrangeiro está a encher de otimismo todos quantos vivem e trabalham para o sector.

Estrangeiros investem €2 mil milhões em casas

De acordo com a APEMIP, estima-se que até ao final deste ano o investimento estrangeiro na compra de habitação possa oscilar entre €1,5 mil milhões a €2 mil milhões. “Um valor nunca visto em Portugal”, explica Luís Lima, presidente daquela associação.

A concessão de vistos gold foi outro dos fatores de sucesso na captação de investimento estrangeiro para o imobiliário, modalidade a que os chineses, em particular, aderiram com grande entusiasmo. Começaram por comprar casas, sobretudo em Lisboa e Cascais, mas já começa a haver casos de aquisição de prédios inteiros.

Dados apurados pelo Expresso junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros indicam que entre janeiro e 22 de maio deste ano foram concedidos 962 vistos gold, o que corresponde a um investimento de €581 milhões. Do total de vistos concedidos, 788 foram atribuídos a cidadãos chineses, seguidos a grande distância pelos russos, com apenas 33 e os brasileiros com 27 vistos.

No que diz respeito só ao primeiro trimestre deste ano, e ainda segundo a APEMIP, os britânicos lideraram com 800 transações, seguidos pelos chineses com 550, surgindo os franceses na terceir posição, com 547 imóveis comprados.

No mesmo período, o total das compras efetuadas por estrangeiros representou 14% das transações (o equivalente a 3.500 negócios).

Se é certo que os regimes dos vistos gold e do residente não habitual estão a animar o mercado imobiliário, também é verdade que os portugueses voltaram a comprar casas. Com cautela, mas cada vez em maior número.

Na rede de mediação imobiliária Century 21, os clientes estrangeiros representaram 22% das 1292 transações de venda concretizadas no primeiro trimestre deste ano. O restantes diz respeito a cidadãos nacionais. “O mercado interno está a alavancar os nossos resultados. A banca recomeçou a financiar e está com critérios mais razoáveis”, diz Ricardo Sousa, presidente-executivo da Century 21 em Portugal.

Beatriz Rubio, líder do grupo Remax Portugal, corrobora, acrescentando que apesar do financiamento bancário ter regressado ao mercado nacional, sobretudo a partir de fevereiro, “foi em maio que se acentuaram os sinais de abertura de crédito aos particulares”. Só esta mediadora tem a seu cargo a comercialização de 6000 imóveis da banca. No entanto, o crédito bancário começa a surgir não apenas para a compra destes imóveis, mas para todo o tipo de operações que vão surgindo no mercado.

No universo Remax, as cerca de 3500 casas vendidas de norte a sul do país, entre janeiro e abril deste ano (um crescimento de 52% comparado com o período homólogo de 2013) distribuem-se por todos os segmentos do mercado e não apenas pelos imóveis topo de gama.

Ao contrário do que dizem os manuais de economia, neste caso o aumento da procura não está a ser sinónimo de aumento de preços. São várias as fontes contactadas a confirmar esta evidência. Ou seja, não se está a correr o risco de formação de uma bolha especulativa, até porque ainda existem perto de meio milhão de casas para vender.

Em algumas zonas, porém, a oferta começa a escassear, como por exemplo no Parque das Nações, em Lisboa, algumas localizações na linha de Cascais, e em Vilamoura, no Algarve.

No entanto, e segundo Miguel Azeredo perdigão, secretário-geral da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), não se vislumbram novos investimentos para os tempos mais próximos. “Começa a notar-se algum entusiasmo, sobretudo pela procura estrangeira, mas da parte de quem investe em novas construções houve uma paragem quase total. Aliás, houve multinacionais associadas nossas, como a francesa Bouygues ou a espanhola Ferrovial, que simplesmente saíram de Portugal”, sublinha aquele responsável.

fonte: Expresso

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